eu ainda penso em você, meu amor, numa intensidade constante. é como se você não tivesse deixado de ser parte de mim. eu ainda me faço todas aquelas perguntas desse roteiro premeditado chamado fim. nossos silêncios estão sobrecarregados de saudade, posso sentir. saudade de nós na estrada descobrindo o mundo de mãos dadas às fases que nos foram possíveis. saudade do nosso caminhar lento como nas primeiras vezes em que juntinhos saímos a deslumbrar a noite ou o dia em diálogos extensos sobre nós e sobre o nosso mundo, nossa realidade. saudade de quando, por tantas vezes, nos reconciliamos num abraço sem fim refazendo a promessa de nunca nos deixarmos. saudade das suas chegadas e principalmente da espera do retorno quando a sua partida se fazia necessária. mas sabe, essa partida de agora que nos faz tão distantes não é suficiente para te fazer passado. eu tenho saudade do que nem sei dizer. uma saudade que acompanha a distancia tua presente em mim. saudade das músicas que compartilhávamos incansavelmente. de você na varanda cantando e tocando, e até daquelas músicas que eu não gostava tanto. saudade do seu olhar sobre mim, o de hoje eu não consigo corresponder por ser um tanto impreciso-indeciso, ainda sei te ler.
somos outros hoje em dia, imagino não te conhecer mais. essa saudade que sinto me torna capaz de te reconhecer uma vez mais. eu sei que não sinto sozinha. a diferença está na disposição do nosso coração.
há dias em que essa saudade ataca, e é como se eu soubesse que não acontece somente comigo. acredito que, com o coração disposto ao que sinto em relação ao amor ainda hóspede inconvidado mas desde então bem quisto, estamos em uma briga interna desmedida na esquiva do pensamento, o meu nome, tua voz.