17/07/2017

embriaguez de saudade

eu ainda penso em você, meu amor, numa intensidade constante. é como se você não tivesse deixado de ser parte de mim. eu ainda me faço todas aquelas perguntas desse roteiro premeditado chamado fim. nossos silêncios estão sobrecarregados de saudade, posso sentir. saudade de nós na estrada descobrindo o mundo de mãos dadas às fases que nos foram possíveis. saudade do nosso caminhar lento como nas primeiras vezes em que juntinhos saímos a deslumbrar a noite ou o dia em diálogos extensos sobre nós e sobre o nosso mundo, nossa realidade. saudade de quando, por tantas vezes, nos reconciliamos num abraço sem fim refazendo a promessa de nunca nos deixarmos. saudade das suas chegadas e principalmente da espera do retorno quando a sua partida se fazia necessária. mas sabe, essa partida de agora que nos faz tão distantes não é suficiente para te fazer passado. eu tenho saudade do que nem sei dizer. uma saudade que acompanha a distancia tua presente em mim. saudade das músicas que compartilhávamos incansavelmente. de você na varanda cantando e tocando, e até daquelas músicas que eu não gostava tanto. saudade do seu olhar sobre mim, o de hoje eu não consigo corresponder por ser um tanto impreciso-indeciso, ainda sei te ler.
somos outros hoje em dia, imagino não te conhecer mais. essa saudade que sinto me torna capaz de te reconhecer uma vez mais. eu sei que não sinto sozinha. a diferença está na disposição do nosso coração.
há dias em que essa saudade ataca, e é como se eu soubesse que não acontece somente comigo. acredito que, com o coração disposto ao que sinto em relação ao amor ainda hóspede inconvidado mas desde então bem quisto, estamos em uma briga interna desmedida na esquiva do pensamento, o meu nome, tua voz.

04/05/2017

tudo vermelho

11:12 am estou com fome-sono e uma sensação de anteontem pesando no peito como se o amanhã que é hoje tivesse preso ao que não aconteceu pela falta de coragem em tentar aquilo que não é repetição que não traz pra lembrança o que se exercita esquecer e faz de mim alguém que eu poderia ser e não fui e fui na verdade ao encontro do que não preenche nem de cor entre tantas a colorir o céu que existe na minha cabeça onde quem está mora e quase gratuitamente pois sabe eu o valor de mantê-lo aqui escorrendo ao coração que só não para ao ver esse sorriso pelo mesmo motivo que me levou a ter força pra continuar ao sentir que a distância seria séria e absoluta ainda que o tempo necessário para tal não tenha chegado perto do suficientemente distante de mim

22/03/2017

rey

eu tenho te imaginado aqui e faço isso ao mesmo tempo em que meu corpo movimenta e faz sentir como se realmente estivesse e eu pudesse lembrar de cor enquanto esteve
não lembro o gosto da sua boca, não lembro a cor do seu olhar, não vi sequer se me tocou
não sei o que fez das lágrimas que não consegui segurar
você chegou tão perto e quase não há o que recordar
te imagino e acho que é por isso, você dentro de mim está oculto
fadado a ser apenas imaginação.

09/03/2017

Rúbia

não sei quem realmente escreve agora. ando tendo umas percepções sobre mim mesma que parecem, ao mesmo tempo, sobre alguém que não sou eu. olho esse mar de gente e quero me sentir apenas uma a mais mas não faz sentido se cedo aos alguéns de mim que às vezes sou. eu não sou eu, sou como qualquer um que por aqui rodeia. mas me questiono! e até a certeza me vem duvidosa porque a certeza precede o que pode acontecer. a data de hoje comemora o ser mulher, e durante todo o meu viver assim me sinto. ainda que este sentimento seja constitutivo assim como a condição natural da espécie. pensar me faz perceber um tanto de coisas que digo sentir. aquelas flores, porém, que encontrei no roteiro não elaborado deste dia, ao chão, me roubaram a atenção e agora me sinto uma delas. elas não pensam! muitos nem repararam o tamanho da árvore que dela caíram, muitos nem as reparam com o coração. há belezas ocultas em estar caída. e essa, senão triste-meio-risonha, seria a felicitação mais realista sobre essas horas que se passam.